O Capítulo Perdido de “O Príncipe”, de Maquiavel

O lema deste blog é: “Um misto de sátira e de ideias políticas, em que nunca se tem a certeza do que é sátira e do que são as convicções”.

O que eu acho estranho é que eu próprio não consigo decidir se os meus escritos são só para fazer pouco do Sistema ou se acredito em alguma coisa daquilo que escrevo.

E isso, não me parece normal.

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O Capítulo Perdido de “O Príncipe”, de Maquiavel

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Passo a vida a ler na net e a ouvir nas notícias que os cidadãos deste país clamam por mais transparência.

É algo que soa instintivo. Se houver mais transparência, há menos negociatas e os malandros dos políticos já não conseguem meter dinheiro ao bolso.

Eu, como de costume, discordo. Acho que a questão da transparência está a ser vista duma forma infantil. Continuar a ler

A Crise Da Zona Euro Explicada Às Avózinhas

Uma das coisas que mais me atrai na antiga União Soviética é a ideia de que a arte deve ser educativa e inspiradora. Aqueles murais com ceifeiras em poses heróicas, louvando a nobreza do trabalho agrícola e incentivando os cidadãos a contribuir para a prosperidade da nação é algo que simplesmente já não há. A escrita, a pintura e a música de hoje em dia, quando têm significado político, é sempre de crítica, de “deita abaixo”.

Os media, por sua vez, ou dizem mal de tudo ou dão explicações complicadíssimas, que não ajudam ninguém a perceber os problemas e a formular opiniões.

Um dos assuntos que anda aí na baila e sobre o qual não se encontra um único texto fácil de perceber é a situação da crise da zona euro. Basicamente, os países mais pobres, ao aderirem ao euro, ficaram com uma credibilidade artificialmente acrescida, que lhes permitiu endividarem-se muito acima do que faria sentido. A Alemanha achou fantástico o acesso à exploração desses novos mercados e colaborou na concessão de crédito excessivo. Agora que a bolha estourou, vacila entre uma integração total, que ajuda a resolver o problema mas que a liga para sempre a países dos quais desconfia e uma recusa de integração, que põe em risco o poderio entretanto conquistado.

Continua confuso? Então leia a versão que eu escrevi para divulgação popular.

É muito fácil. No final do texto, se estiver do lado do noivo, concorda com a Alemanha. Se estiver do lado da noiva, concorda com Portugal, Grécia, etc.

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A Crise Da Zona Euro Explicada Às Avózinhas

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– Mas não casam porquê? Pergunta a mãe do rapaz, estupefacta.

– Os convidados já começaram a chegar. Vai ser um escândalo. Acrescenta a mãe da rapariga.

– Ela só quer o meu dinheiro. Eu devia estar cego, mas agora vejo bem. Bem demais!

– És um estúpido! Só pensas nisso. Para ti é só dinheiro, dinheiro. Tudo é dinheiro.

– Claro, tu ao dinheiro não ligas nenhuma. És completamente desinteressada. Mas sabes gastar. Isso sabes.

A mãe da rapariga estava confusa.

– Mas a minha filha nunca foi gastadora. Pode perder a cabeça com uma mala ou uns sapatos, uma vez por outra, mas…

– Nunca foi gastadora com o dinheiro dela! Com o meu é à fartazana. Continuar a ler

Sobre a Democracia, a Inclusão e a Economia

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Sobre a Democracia, a Inclusão e a Economia

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A democracia parlamentar foi cuidadosamente concebida para que as pessoas se identificassem  com os orgãos governativos. Os políticos fazem campanha pelos seus projectos e os eleitores votam livremente nos candidatos que preferem. Os que obtêm mais votos são eleitos deputados e formam a Assembleia da República, na qual não existe uma única pessoa que não tenha sido eleita por voto popular directo. Das maiorias existentes na A.R. resulta a formação de um governo.

Todo este processo tem por objectivo a constituição de uma Assembleia da República e um governo com os quais a população tenha ligação emocional.

Estranhamente, eu não conheço ninguém que se identifique com os orgãos de soberania. A situação passou, aliás, de peculiar a psico coiso há uns meses atrás, quando, incrédulo, vi na televisão o ilustre constitucionalista Jorge Miranda, um dos principais responsáveis pelo texto da Constituição Portuguesa confessar, com ar tímido e atrapalhado (pudera!), que há muito que votava em branco nas eleições, por não se conseguir identificar com nenhum partido.

Se o Jorge Miranda não se consegue identificar com o sistema que ele próprio montou, algo de muito errado se está a passar… Continuar a ler